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Vamos conversar um pouco sobre saúde... ter ☞ um dedo de prosa.
Vocês certamente já se perguntaram como os farmacêuticos conseguem decifrar os garranchos da caligrafia das médicas e médicos, não é mesmo?
A fama de letra ilegível entre os profissionais da área da saúde deve-se a uma combinação de rotinas de trabalho intensas, grande volume de anotações e fatores históricos.
A pressa e a carga de trabalho excessivas, somadas a uma rotina diária de plantões e consultas em sequência, exigem agilidade no preenchimento de prontuários e na prescrição de receitas. Nós, médicas e médicos, não dispomos do tempo que os artistas de “lettering” têm, aqueles profissionais que desenham letras como se fossem ilustrações únicas, tratando cada palavra ou frase como uma obra de arte.
Outro fator é o enorme volume de escrita exigido na faculdade de medicina; durante a formação, os estudantes precisam copiar rapidamente grandes quantidades de informações, uma prática que tende a alterar a caligrafia com o passar do tempo, especialmente porque, ainda hoje, em nosso mundo tecnológico, é proibido gravar ou filmar as aulas, visto que o uso de celulares em sala de aula não é permitido.
A caligrafia ilegível é encontrada em diversas profissões; no entanto, as médicas e médicos estão entre os poucos profissionais cujas anotações manuscritas são lidas regularmente por colegas, pacientes e farmacêuticos.
As origens históricas vêm em nosso socorro, apontando que, no passado, as anotações eram feitas à mão de forma deliberadamente ilegível para que apenas os boticários (os farmacêuticos daquela época), pudessem decifrar as fórmulas, impedindo assim que leigos tentassem manipular medicamentos perigosos por conta própria.
Minha trajetória profissional me levou à tecnologia; hoje, preparo tudo no computador, dispensando os blocos de receituário de papel e os carimbos. Isso também me ajuda a evitar o estigma de longa data de que nossa letra parece hieróglifos.
Saúde a todos! — Drª. Jéssica Mayra
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