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Vamos conversar um pouco sobre saúde... ter ☞ um dedo de prosa.
As “drogas Z” são medicamentos sedativos-hipnóticos (agentes indutores do sono) que atuam nos receptores GABA do cérebro. Embora úteis para o tratamento de curto prazo da insônia, o uso indevido desses fármacos tornou-se um problema de saúde pública, levando as autoridades sanitárias a endurecer o controle de prescrições, exigindo, especificamente, que as farmácias retenham as receitas originais.
Os principais riscos neurológicos e neuropsiquiátricos associados a esses medicamentos incluem dependência e tolerância (situação em que o cérebro se adapta à droga, exigindo doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito), entre eles: amnésia anterógrada (perda de memória recente), na qual o paciente realiza ações após tomar o medicamento, mas não se lembra delas no dia seguinte; parassonias (comportamentos automáticos), episódios em que a pessoa permanece parcialmente ativa durante o sono e realiza atividades complexas, como cozinhar, comer, dirigir automóveis inconscientemente à noite ou fazer compras online, sem consciência ou memória posterior dos eventos.
Há também um forte comprometimento cognitivo e risco de quedas, visto que o uso crônico afeta a atenção e a memória de longo prazo e causa instabilidade motora, aumentando drasticamente o risco de quedas e fraturas em idosos; e síndrome de abstinência e efeitos rebote, que ocorrem quando a medicação é interrompida abruptamente, podendo causar insônia grave, ansiedade intensa, tremores, delírio e até convulsões, justamente as condições que o medicamento visava tratar.
Nunca utilize medicamentos recomendados por leigos (mesmo que tenham sido prescritos com sucesso para outra pessoa), cada caso é único, e apenas um médico pode avaliar a necessidade das chamadas “drogas Z”, as quais, pessoalmente, não defendo nem prescrevo. Além disso, nunca busque curas milagrosas ou “médicos” gerados por inteligência artificial (IA) encontrados na internet.
Para quem faz uso desses medicamentos, é necessária uma redução gradual (desmame), especialmente no caso de fármacos psiquiátricos, como antidepressivos e ansiolíticos. Esse processo deve ser realizado de forma lenta e progressiva, sob orientação médica, para evitar efeitos colaterais graves ou o retorno dos sintomas. Nunca interrompa o uso de um medicamento por conta própria; o ritmo da redução depende da substância específica e do tempo de uso. Assim como ocorreu na prescrição inicial, todo o processo de redução, incluindo a interrupção definitiva, exige a devida supervisão profissional adequada.
Saúde a todos! — Drª. Jéssica Mayra
Saúde a todos! — Drª. Jéssica Mayra
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