[Novembro Azul]

 
Vamos conversar um pouco sobre saúde... ter ☞ um dedo de prosa.
 
Aproveitando a “onda” do Novembro Azul, movimento que surgiu na Austrália, em 2003, sob o nome “Movember” (uma combinação das palavras “moustache”: bigode, e “November”: novembro), quando os homens deixavam crescer o bigode, chamamdo a atenção para a saúde masculina referente ao câncer de próstata. O conceito difundiu-se globalmente, evoluindo em diversos países para focar na prevenção do câncer de próstata e na atenção integral à saúde do homem.

Gostaria de ressaltar que os problemas na próstata possuem uma relação muito estreita e bidirecional com o sistema neurológico. Essa conexão manifesta-se tanto no controle físico do sistema urinário quanto no impacto que distúrbios emocionais e neurológicos podem exercer sobre a própria glândula.

A relação entre a próstata e o sistema nervoso ocorre, principalmente, por meio da inervação e dos sintomas urinários, uma vez que a próstata e a bexiga são controladas, em grande parte, pelo sistema nervoso autônomo (tanto pelas divisões simpática quanto parassimpática). Quando surgem condições como a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), os nervos locais podem tornar-se hiperativos, resultando em sintomas como urgência urinária (uma vontade súbita e incontrolável de urinar) ou hesitação (uma dificuldade neurológica/muscular para iniciar o fluxo urinário).

Embora a “bexiga neurogênica” prejudique a coordenação entre o músculo da bexiga e o esfíncter urinário, não se trata de uma condição única e uniforme, certos fatores podem simular problemas relacionados à próstata. Condições neurológicas centrais, como a doença de Parkinson, a esclerose múltipla ou as sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC), podem afetar os nervos que controlam a bexiga. Os sintomas resultantes são praticamente idênticos aos causados ​​por uma próstata aumentada, tornando necessárias avaliações tanto urológicas quanto neurológicas para distinguir as causas subjacentes.

O estresse, a ansiedade e a prostatite crônica, especificamente a síndrome de dor pélvica crônica (ou prostatite crônica não bacteriana), estão intimamente ligados a fatores psiconeurológicos. O estresse crônico e a ansiedade ativam o sistema nervoso simpático, gerando uma tensão constante nos músculos do assoalho pélvico e desencadeando a liberação de substâncias inflamatórias. Este processo leva a uma sensibilização central no sistema nervoso, fazendo com que o cérebro e a medula espinhal passem a interpretar estímulos normais provenientes da região pélvica como uma dor intensa e crônica na próstata.

As consequências de tratamentos avançados para condições graves da próstata também podem afetar o sistema nervoso, direta ou indiretamente. Cirurgias, como a prostatectomia radical, envolvem riscos inerentes; os nervos responsáveis ​​pela ereção passam ao longo da parede externa da próstata. Dependendo da extensão do tumor, esses nervos delicados podem sofrer traumas ou estiramentos, resultando em disfunção erétil temporária ou permanente; o bloqueio hormonal, com tratamentos que reduzem drasticamente a testosterona, como a terapia de privação androgênica para o câncer de próstata, também pode causar efeitos colaterais no sistema nervoso central, impactando, potencialmente, a memória e a cognição.

A maneira mais eficaz de verificar a existência de problemas na próstata é por meio do exame de toque retal. Trata-se de um procedimento simples, no qual um urologista ou proctologista insere o dedo indicador, devidamente enluvado e lubrificado, no reto para palpar a superfície da próstata. É um procedimento extremamente rápido, que dura menos de um minuto. O que o toque
avalia? Palpar a próstata permite analisar o tamanho, o volume e a consistência da glândula, além de auxiliar na detecção de eventuais nódulos ou irregularidades.

Portanto, todo homem que não realiza esse rastreamento a partir dos 50 anos, supondo que não haja histórico familiar de câncer de próstata ou outros fatores de risco, acaba, na prática, deixando sua saúde ao acaso. Isso decorre, muitas vezes, de uma noção equivocada (e preconceituosa) de que o exame de toque retal poderia, de alguma forma, comprometer a masculinidade.

Vale ressaltar que, para homens com histórico familiar da doença (como pai, irmão ou tio) ou para homens negros, que apresentam maior incidência e risco, o rastreamento deve começar aos 45 anos. Para aqueles com um histórico familiar significativo e recorrente (vários parentes afetados em idade jovem), ou com base em uma avaliação individualizada feita por um urologista, a recomendação é iniciar o rastreamento aos 40 anos.

Saúde a todos! — Drª. Jéssica Mayra

Comentários

ღღღღღღღღღღToque aqui ♥

ღღღღღღღღღღToque aqui ♥
🩺 Recarregar a página inicial